Alimentação no inverno: comer quentinho sem sair da dieta

Em Curitiba o inverno não é sutil. Chega junho e a mesma paciente que atravessava o verão com salada e frango grelhado me manda mensagem dizendo que só pensa em pão de queijo, fondue e chocolate quente. Eu respondo sempre a mesma coisa: isso não é falta de disciplina. É o seu corpo pedindo comida quente — e dá para atender esse pedido sem jogar o plano no lixo.

Por que o frio parece dar mais fome

Três coisas mudam ao mesmo tempo quando a temperatura cai. Seu corpo gasta energia para se manter aquecido, e comida quente é a resposta mais óbvia que ele encontra. Os dias ficam mais curtos e mais escuros, o que mexe com o humor e faz a comida virar conforto. E a sede praticamente desaparece — muita gente passa o dia sem beber água no inverno e interpreta como fome um sinal que era só desidratação leve.

Nada disso é defeito de caráter. É contexto. E contexto se resolve com estratégia, não com culpa.

O erro que eu mais vejo entre junho e agosto

A paciente decide "compensar" o inverno: troca o almoço por uma sopa ralinha, corta o carboidrato da noite, evita todo convite que envolva comida. Funciona por uns dez dias. No décimo primeiro ela chega em casa com frio, com fome de verdade e sem nada pronto — e aí vem o ataque à despensa, seguido da frase que eu escuto toda semana: "estraguei tudo".

Não estragou nada. O plano é que estava frágil. Uma dieta que só funciona quando está fazendo 28 graus não é uma dieta, é um recorte de verão.

Como eu adapto a dieta das minhas pacientes no frio

A lógica é simples: manter o que a refeição precisa entregar — proteína, saciedade, quantidade — e trocar só a temperatura e o formato. Na prática, é assim:

  • No café da manhã, a fruta com iogurte gelado vira aveia cozida no leite, um mingau, uma panqueca de banana feita na frigideira ou um sanduíche quentinho na chapa.
  • No almoço e na janta, a salada crua vira legume assado, refogado ou uma sopa — desde que a sopa leve proteína de verdade dentro. Sopa de legume batida sozinha esvazia o prato e a barriga volta a roncar em uma hora.
  • Nos lanches, café e chá sem açúcar ajudam muito, e não porque "aceleram" nada: eles ocupam o lugar do beliscar automático e ainda entram na conta da hidratação.
  • Nos fins de semana, o fondue e o vinho entram planejados, com o resto do dia ajustado em volta. Planejado é diferente de escondido — e é o que faz a pessoa não passar a segunda-feira se punindo.

Nenhum desses ajustes exige comida caríssima nem receita complicada. Exige decidir antes, e não às 21h com fome.

Eu falei sobre isso na Band

Em 25 de julho de 2026 o Sábado na Band ao vivo, da Band Paraná, veio até o meu consultório justamente para falar do que o frio faz com a alimentação. Meu objetivo ali foi o mesmo daqui: mostrar que adaptar é melhor do que restringir. Nas minhas palavras na entrevista, a meta é uma dieta confortável e gostosa de seguir no inverno.

O vídeo é carregado no YouTube só quando você clica — até aí, nada é enviado para lá.

Três perguntas que sempre chegam no inverno

Comer no frio engorda mais?

A temperatura não engorda. O que engorda é o conjunto: porções maiores, mais bebida alcoólica, menos caminhada, menos academia porque está chovendo. O frio não muda a conta — muda o comportamento em volta dela.

Posso trocar a janta por sopa todos os dias?

Pode, se a sopa for uma refeição de verdade: proteína, legume e uma fonte de carboidrato. O problema nunca foi a sopa, foi a sopa que não alimenta.

E o chocolate quente da tarde?

Cabe. Só precisa estar na conta do dia, e não acontecer três vezes por dia "porque está frio". É a diferença entre incluir e perder o controle.


Quer um plano alimentar montado para a sua rotina e para o inverno de Curitiba, sem restrições absurdas? Me chame no WhatsApp — atendo presencialmente no Água Verde e também online.

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